Bastidores

R$ 1,4 bilhão: fim das bets pressiona mídia esportiva por novos anunciantes

A saída das empresas de apostas do mercado esportivo coloca à prova o modelo de negócio da mídia esportiva na internet. As bets se tornaram importantes anunciantes do setor, e a proibição levantou dúvidas sobre a sustentabilidade das transmissões gratuitas, sobretudo nas plataformas de streaming.

O impacto também chega aos clubes. Eles chegaram a cogitar paralisar uma rodada do Brasileirão em protesto contra a medida, mas não houve consenso. Na primeira rodada após a entrada em vigor da medida provisória, o Flamengo estampou a frase “proibir não é proteger” no espaço mais nobre da camisa, mensagem que também apareceu em placas ao redor dos gramados.

O cenário, porém, ainda inclui oportunidades para as plataformas digitais. A TNT Sports transmitirá a Copa Sul-Americana em seu canal no YouTube, enquanto a CazéTV e o YouTube negociaram 11 cotas de patrocínio para a Copa do Mundo de 2026, três delas de bets, com preço de tabela de R$ 185 milhões cada e projeto estimado em cerca de R$ 2 bilhões. Em 2025, as empresas de apostas investiram mais de R$ 1,4 bilhão em publicidade na TV aberta, TV paga, rádio e streaming.

A expectativa no curto prazo é que as grandes audiências ajudem a manter o modelo, mas o mercado deverá redistribuir os investimentos e buscar anunciantes de outros setores.

Fonte: Estadão . Publicado às 05:30 de 10/10/2026.