Os estrangeiros jogaram mais que o dobro dos brasileiros sub-23 nas rodadas 29 e 30 do Brasileirão. O levantamento da Press FC registrou 10.394 minutos para atletas de outras nacionalidades, contra 4.944 dos jovens brasileiros, em um cenário que reacende o debate sobre o espaço das promessas nacionais na Série A.
A diferença apareceu nas duas rodadas. Na 29ª, os estrangeiros tiveram 5.016 minutos, contra 2.459 dos sub-23 brasileiros. Na 30ª, a vantagem aumentou para 5.378 a 2.485. No total, 173 estrangeiros foram utilizados, sendo 121 titulares, enquanto 81 brasileiros de até 23 anos atuaram, com 54 entre os jogadores que começaram as partidas.
“O debate sobre a presença de estrangeiros no Campeonato Brasileiro precisa ir além dos números e considerar o desenvolvimento do futebol nacional a longo prazo. É fundamental encontrar um equilíbrio que preserve a competitividade dos clubes e, ao mesmo tempo, crie condições para que os jovens brasileiros ganhem experiência e espaço no futebol profissional. Do ponto de vista da gestão esportiva, investir na formação e no desenvolvimento desses atletas também é uma estratégia para fortalecer o futebol brasileiro”
— Alexandre Frota, CEO da FutPro Expo
Na 29ª rodada, o Athletico-PR utilizou seis brasileiros sub-23, enquanto Grêmio e Vasco lideraram entre os estrangeiros. Na rodada seguinte, Flamengo, Vasco e Palmeiras usaram oito estrangeiros cada; Cruzeiro e Athletico-PR foram os destaques entre os jovens brasileiros, com cinco jogadores por equipe.
O levantamento também acompanha dados da CBF. A entidade informou que a participação dos brasileiros sub-23 na minutagem caiu de 28,3% em 2020 para 11,5% em 2026, enquanto a dos estrangeiros acima de 23 anos subiu de 7,8% para 25%. A partir de 2027, o limite de estrangeiros relacionados por partida cairá de nove para oito, com reduções posteriores até chegar a cinco em 2030.
Em 2026, os sub-23 representaram 13,8% dos minutos da Série A, índice inferior ao registrado nas cinco principais ligas europeias analisadas pela CBF. A entidade apontou que a redução do limite de estrangeiros, sozinha, não garante maior utilização de atletas formados no Brasil.




