Samuel Lino, do Flamengo, chamou atenção nos amistosos da Seleção Brasileira contra Austrália e Índia. O atacante marcou dois gols em 88 minutos de atuação nos três jogos e também se destacou pela personalidade, pela leitura de jogo e pela eficácia nos duelos individuais.
Aos 26 anos, o jogador virou exemplo no debate sobre a transição e a formação de talentos no futebol brasileiro. O caso dele é usado para defender a tese de que o principal problema está na falta de espaço no profissional para atletas que precisam de mais tempo de maturação, e não necessariamente na formação das divisões de base.
Revelado pelo São Bernardo, Samuel Lino passou pela base do Flamengo em 2017, fez quatro jogos oficiais pelo sub-20 rubro-negro e retornou ao clube formador após não ter espaço. Depois de atuar na Copa Paulista pelo time principal, foi para o Gil Vicente, de Portugal, antes de passar por Valencia e Atlético de Madrid.
O Movimento de Clubes Formadores do Futebol Brasileiro, presidido por Augusto Oliveira, do Botafogo, afirma que os nove estrangeiros dificultam a transição para o profissional e estimulam a saída de jogadores em desenvolvimento. Na primeira data Fifa após a Copa do Mundo dos Estados Unidos, o Brasil utilizou 13 atletas que não estiveram no último Mundial, mais do que Alemanha, Argentina, Inglaterra, França e Holanda.

