A possibilidade de paralisação do Brasileirão entrou no debate após a entrada em vigor da MP 1.394/2026, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no Brasil. A competição está na 29ª rodada de 38, mas não há decisão dos clubes pela interrupção, e dirigentes negam uma articulação concreta nesse sentido.
O impacto financeiro ajuda a explicar a pressão. Em 2025, os patrocínios de casas de apostas movimentaram R$ 1,03 bilhão entre os clubes da Série A, o equivalente a 33% das receitas comerciais e 7,2% da receita total. Além disso, 14 dos 20 clubes tinham uma bet como patrocinadora máster, em contratos que somavam cerca de R$ 910 milhões.
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, estimou que o futebol brasileiro pode perder cerca de R$ 2,5 bilhões em receitas no próximo ano caso a proibição seja mantida. Para o Flamengo, a previsão apresentada pelo dirigente é de perdas imediatas entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões em 2027.
A MP também determina a retirada de materiais publicitários e sinais de patrocínio em até dez dias, além de prever a extinção das autorizações em 25 de outubro. O Flamengo pediu para ingressar como amicus curiae em uma ação no STF e defende segurança jurídica para os contratos firmados sob a legislação anterior. Entre as alternativas discutidas pelos clubes estão um período de transição e mecanismos de financiamento.

